quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Mansfield Park, Jane Austen





Mansfield Park é uma obra um tanto ou quanto diferente, uma vez que aqui, a autora apresenta um mundo superficialmente atractivo e sucede em tornar os Crawfords encantadores antes de o leitor os julgar, ao passo que os Bertrams são despojados de encanto, mas reflectem elegância e ao mesmo tempo os defeitos de carácter individual. No que respeita à heroína, Fanny Price, a sua personalidade mantém-se inalterada, apesar de a mesma se encontrar no meio de dois mundos diferentes, isto é, não pertencer nem à realidade dos Price nem à dos Bertrams. É possível afirmar que a sossegada e aparentemente desinteressante Fanny foi o meio através do qual a autora resolveu expor o outro lado do mundo glamoroso da aristocracia. Todos estes aspectos contribuíram para o prestígio que este romance obteve, cuja protagonista se mantém fiel aos seus princípios e se torna um exemplo para todos os outros, apesar de somente com o tempo lhe ser dado o reconhecimento devido. Mais uma vez, uma leitura leve e divertida para quem gosta da autora, que de forma muito própria expõe os defeitos característicos da mentalidade da sociedade da época.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

The Scarlet Letter, Nathaniel Hawthorne





Esta é uma daquelas obras de que se ouve falar repetidamente e que à primeira vista parece ser pouco interessante, mas de forma um tanto ou quanto inconsciente sabemos que se trata de uma obra importante. Além do mais, os escritores americanos nunca foram os meus predilectos. Porém, surgiu-me recentemente a curiosidade em ler este livro, que se revelou muito mais interessante do que eu espectava, pois imaginei-o mais denso e obscuro. A história de Hester Prynne é um bom exemplo da rigidez da lei da comunidade puritana, que castigava o adultério severamente, mas a sua força de carácter, a par com a irreverência da pequena Pearl (simplesmente adorei esta personagem por ser tão diferente e deter uma capacidade extraordinária para compreender o que se passa à sua volta), que de uma maneira ou de outra, fez com que ela ultrapassa-se a situação. Por seu turno, o sentimento de culpa que pesa sobre a consciência de Arthur Dimmesdale certamente não poderia ter levado a outro desfecho, porque afinal, Hester suportou sozinha o escárnio e a exclusão da comunidade durante sete anos e ostentou para toda a vida a letra vermelha ao peito, muito embora a mesma tenha adquirido um significado diferente ao longo do tempo. Pode não ser dos meus preferidos, mas gostei bastante, apesar da forte implicância da religiosidade católica/cristã.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Alice's Adventures in Wonderland and Through the Looking Glass, LewisCaroll





 


Sempre me perguntei por que razão a história da menina que caiu pelo buraco do coelho branco e encontrou um mundo paralelo aparentemente nada lógico, teria tão especial lugar entre os clássicos da literatura infantil inglesa, até que o li e me deparei com uma história encantadora, repleta de jogos de palavras e significados, capaz de provocar uma boa gargalha e divertir o leitor. Quase dois anos depois, consegui finalmente ler a sequela, Through the Looking Glass, igualmente aliciante pelo modo como é descrita a viagem de Alice nesse mundo paralelo. Recomendo ambas vivamente, por serem dignas de pertencer a qualquer biblioteca particular, quer seja para leitura própria ou para ler aos mais pequenos. Simplesmente fantásticas!

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

2014!





Olá bloggers e leitores. Mais um ano passou, desta vez repleto de leituras novas e espero conseguir ainda mais neste novo ano. Este ano o balanço é de 1202 visualizações, muito embora continue a estar longe do ideal, mas o importante é não desistir e continuar a tentar. Espero conseguir surpreender-vos neste novo ano e que continuem a acompanhar o meu cantinho literário. Para já adianto somente que o blogue irá ser renomeado e contará com os posts de alguns livros lidos há já algum tempo. Além disso, podem também encontrar-me, mais uma vez, no Goodreads Reading Challenge 2014, de Good Reads. Sem mais, desejo-vos um feliz 2014, repleto de alegria, amor, amizade e claro, muitas leituras!

domingo, 22 de dezembro de 2013

Sense and Sensibility, Jane Austen





Foi por acaso que comecei a ler Jane Austen começando pelo primeiro romance. Desde aí, tornou-se uma das minhas autoras preferidas, pois com a sua invulgar ironia, dá a conhecer a classe média do seu tempo. Elinor e Marianne são tão diferentes que é surpreendente serem tão próximas. Por outro lado, o contraste acaba por estabelecer o equilíbrio entre elas. Neste primeiro romance, o contraste provoca desde logo uma certa empatia e comicidade, quanto mais não seja porque Elinor esconde os seus sentimentos por detrás do auto-controlo, o que pode ser tido como distanciamento, além de não se aperceber inicialmente de que é correspondida, ao passo que Marianne sente tudo de uma forma muito intensa, deixando-se enganar facilmente e aprendendo uma dura lição. As irmãs Dashwood representam o duelo razão / coração, que tantas vezes tem sido rebatido por outros autores. Por seu turno, personagens como John Dashwood, Mrs. John Dashwood, Mrs. Ferrars, etc. são personagens que representam, na minha opinião, o egoísmo, o preconceito e a avareza de uma burguesia que se julga demasiado importante e com direito a todos os luxos, cuja sede de poder, um tanto típica da época, se torna desconcertante. Mais chocante ainda é o carácter duvidoso de Willoughby, o típico caça-fortunas ganancioso que conscientemente descura as responsabilidades dos seus actos. Sem dúvida, uma das personagens mais desprezíveis que Austen criou, mas que reflecte muito bem certos aspectos da sociedade de então. Depois surgem também a iludida Mrs. Dashwood, a amável Mrs. Jennings, o pacífico Colonel Brandon, que vêm, por assim dizer, dar consistência ao enredo. Repleto de personagens cómicas, egoístas, benevolentes, e mesmo deploráveis, esta primeira obra de Austen pode não ser perfeita, mas é sem dúvida alguma, digna de qualquer um que aprecie uma boa história e um grande nome da literatura inglesa do século XIX.

A Bibliotecária, Logan Belle





A leitura deste romance foi a minha estreia no romance erótico. Tinha conhecimento do género e alguma curiosidade em ler esta obra em particular, porque apesar do título disfarçar muito bem, a verdade é que o enredo empolgante de uma perspectiva um tanto ou quanto tabu, prende o leitor da primeira à última página. A ingenuidade de Regina e a impetuosidade de Sebastian só tornam ainda mais surpreendente o desenrolar da história e no fim de contas, o que começa por ser uma relação fora do comum, transforma-se numa promissora paixão avassaladora. Com uma escrita fluída e cadenciada, mas numa linguagem muito directa e explicita, Logan Belle apresenta-nos uma jovem mulher cuja felicidade passava por trabalhar na tranquilidade de uma biblioteca, a qual aprende que, por vezes, há uma qualquer surpresa inesperada mesmo no mais calmo dos lugares; e um homem bonito, cuja fragilidade de um desgosto antigo o faz fugir dos próprios sentimentos. Para quem for adepto deste género, recomendo vivamente.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Alma Rebelde, Carla M. Soares





Esta é mais uma grande narrativa da literatura portuguesa. Leve, fluída e vibrante, prende-nos do início ao fim com a respiração suspensa. O que parecia ser a realização do costume da época, em que o máximo que as meninas de bem podiam aspirar era "fazer um bom casamento", torna-se uma inesperada história de amor e lealdade, a descoberta de que por vezes é possível escolher. As personagens são tão humanas que despertam emoções turbulentas; sobretudo os dois protagonistas, que são tão diferentes e tão iguais ao mesmo tempo! Joana foi educada para ser uma mulher passiva e obediente, embora parte da sua alma se rebele a todo o instante, a parte que ela mantém escondida a todo o custo e aquela que mais fascina Santiago, o qual não se conforma com menos do que a entrega total. No entanto é nesse mesmo casamento arranjado que Joana encontra finalmente a tão almejada liberdade e ao lado de Santiago, uma vida feliz com a qual jamais sonhara. Sem dúvida alguma uma história inspiradora para ser lida de um fôlego, vezes sem conta.

Alentejo Blue, Monica Ali





Pela primeira vez nas minhas leituras deparei-me com uma autora que escreveu uma narrativa situada em Portugal, no nosso, por vezes esquecido, Alentejo. Embora categorizada como romance, a obra assemelha-se mais a um conjunto de contos que giram em torno de personagens representativas, quer os habitantes locais, quer os estrangeiros: aqueles que sempre aí viveram e querem descobrir o mundo, aqueles que vieram na ideia de melhorar a sua vida, aqueles que estão somente de passagem; porém, todos têm os seus dilemas interiores, a sua guerra constante consigo mesmos. Muito embora a escrita de Monica Ali me tenha parecido um pouco confusa, sobretudo quando o fluxo da língua é interrompido por uma palavra ou expressão portuguesa. Contudo, trata-se de uma obra que  de algum modo retrata o nosso nostálgico Alentejo e que vale a pena ser lida e reflectida.

sábado, 9 de novembro de 2013

This is not the end of the book, Umberto Eco e Jean-Claude Carrière





Já alguma vez pensaram que um debate sobre a sobrevivência de um objecto tão comum ao nosso dia-a-dia pudesse resultar num livro bastante interessante e elucidativo? Eu também não; mas é precisamente o que acontece com esta obra, This is not the end of the book; da autoria de Jean-Philippe de Tonnac, no qual o mesmo conduz uma conversa entre Umberto Eco e Jean-Claude Carriére acerca da sobrevivência do livro como objecto face ao constante desenvolvimento tecnológico. Neste livro são discutidos temas como o fundamento do livro, a praticabilidade do livro, o desleixo da nossa memória face aos dispositivos com acesso à Internet, a divulgação desordenada de informação na Internet, etc. São formuladas diversas questões às quais não se presta a devida atenção, creio, e o modo como Eco e Carrière lhes tentam responder é o ponto de partida para a devida reflexão sobre o assunto. Irá o livro sobreviver à tecnologia? Ou acabará por desaparecer? Segundo os autores, há um conjunto de boas razões para acreditar que sim. Recomendo vivamente a leitura desta obra, independentemente da preferência pelo livro em si ou pelo livro electrónico.

O Herdeiro de Sevenwaters, Juliet Mariller






Após o desfecho de A Filha da Profecia, que fecharia a trilogia de Sevenwaters, eis que a saga continua neste emocionante quarto volume. Os eventos são narrados por Clodagh, uma das seis filhas de Lorde Sean, a qual não possuí qualquer queda para as artes mágicas, mas que detém uma enorme coragem. A paz entre os humanos e as Criaturas Encantadas é quebrada inesperadamente e, para a restaurar, Clodagh é forçada a viajar até ao outro mundo, na companhia do estranho Cathal; porém, entre estranhas revelações, Clodagh descobre que ele é, nem mais nem menos, filho do novo governante do Outro Mundo. Com as emoções ao rubro do início ao fim, O Herdeiro de Sevenwaters traz o tão aclamado regresso de uma das melhores sagas da literatura de expressão inglesa e, creio, da literatura mundial, numa fantástica demanda à procura da verdade e da redenção.