segunda-feira, 19 de junho de 2017

O Grito do Corvo, Sandra Carvalho





Depois das atribulações do volume anterior, fiquei completamente assoberbada pelas emoções que este último volume carrega! É impossível largar o livro e nada nos faz prever as reviravoltas que surgem no final da história, mas como vem sendo hábito nas narrativas da Sandra Carvalho, o amor vence sempre, mesmo quando tudo parece perdido. Mais do que as contradições impostas às personagens, a aura de suspense submerge o leitor na ansiedade de saber o que acontece a seguir. A autora tem, sem dúvida, uma escrita arrebatadora que continua a surpreender e não deixa ninguém indiferente, contruindo narrativas repletas de personagens aguerridas e muito humanas, que penam muito para conquistar a sua felicidade, mas não desistem.
Que venham muitos, muitos mais livros da autora!

Visita à Feira do Livro!





Quase que não conseguia lá ir este ano, mas consegui! Esperava poder fazer uma maluquice e trazer os sete que se encontravam na minha lista;  como tal não me foi possível, só trouxe estes dois: O Grito do Corvo, Sandra Carvalho e Encontro em Itália, Liliana Lavado. Junto assim, mais uma autora portuguesa que desconhecia ao meu reportório literário. A Feira esteve, de facto, maior, apesar de não a ter conseguido aproveitar devidamente, uma vez que lá fui somente na loucura da Hora H. Talvez para os ano se proporcione uma oportunidade mais favorável! Até para o ano Feira do Livro!

Boas leituras!


sábado, 3 de junho de 2017

Reflexões #9 - Salto de Fé





Por providência divina, ironia do destino ou pura sorte, às vezes ocorre uma sucessão de acasos felizes que não poderíamos ter antecipado. Ou talvez pudéssemos, se tivermos feito algo para que isso aconteça ou caso resulte o esforço que empreendemos no nosso trabalho. A verdade é que aquele discurso primoroso de que "tentar não custa" (difícil de crer para quem tende a cair o pessimismo) não é assim tão descabido se considerarmos o facto de que as melhores histórias nos ensinam isso mesmo: que, às vezes, basta acreditarmos em nós próprios e darmos um salto de fé.

Claro está que essa ideia só por si não nos leva a lado nenhum, porque é preciso trabalhar afincadamente para atingir os nosso objectivos, sejam quais forem, e nada nos garante que os concretizemos. Mas se aliarmos o nosso esforço à esperança e à paciência, é possível que se nos abra uma janela de oportunidade e, então sim, talvez consigamos chegar onde queremos estar. No seguimento da reflexão anterior, tudo se torna mais fácil quando insistimos naquilo que realmente queremos. Foi o que eu fiz e eis que se abriu a minha janela de oportunidade para ver o meu trabalho publicado e reconhecido.

É o concretizar do meu maior desejo profissional, embora este passo requeira ainda muito trabalho da minha parte. O mais interessante é constatar que, de facto, cada um de nós tem a força e o poder de concretizar os seus sonhos. Parece que a providência resolveu lançar os dados a meu favor e agora, resta-me agarrar esta oportunidade com ambas as mãos e continuar a trabalhar para ir mais longe.

sábado, 20 de maio de 2017

87ª Feira do Livro!





Olá! Bem sei que tenho andado ausente e que é em cima da hora, mas aproxima-se mais uma edição da Feira do Livro de Lisboa, no sítio do costume. Este ano a feira decorre entre 1 e 18 de Junho e ao que parece, está ainda maior e melhor. Vamos ter mais autores, mais editoras, mais livros, mais feira do livro para um início de Verão em grande. Afinal, trata-se da 87ª edição deste evento literário tão especial. Da minha parte, sei que quero muito passar por lá, mas ainda não sei quando. Fiquem atentos ao blog!

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Pedaços de Escrita #56





Depois do calor inesperado e despropositado, veio aquela chuvada fria, carregada de nuvens sombrias e de mau augúrio. Desceu a temperatura abruptamente, desnorteando o termóstato biológico de toda a gente: ora se sente calor, ora se sente frio! É uma doidice pegada quando a chuva chega na altura errada, dando aso a um ininterrupto chove, faz sol, chove, faz sol, sem lógica nenhuma.

Já nada é certo como antigamente: o frio no Inverno, o ameno na Primavera e no Outono e o calor no Verão. O que aconteceu ao tempo para andar todo trocado? São as incongruências da nossa era, as consequências das más decisões e das trafulhices que os ricos e poderosos fazem, apenas para se tornarem mais ricos e poderosos, ao invés de empreenderem esforços conjuntos na preservação do equilíbrio natural, tão essencial à coexistência entre o Homem e a Natureza.

As boas acções são cada vez mais raras, conforme aumenta o egocentrismo e o narcisismo. A juventude de hoje já não se contenta com a simplicidade que o mundo tem para oferecer e complica a felicidade ao desejar igualar os seus pares, em vez de abraçar a diferença. O que se passa com as famílias e as escolas, cujos princípios parecem desmoronar-se? Anda tudo às avessas e já ninguém conversa sem ser através da tecnologia, demasiado acessível e evolutiva, mesmo nociva! Afinal, o que se passa com o mundo em geral e com as pessoas em particular, que já não sabem apreciar a beleza das pequenas coisas que lhes surgem diante dos olhos? Será desejar demais que nos tratemos como iguais, sem medos e sem constrangimentos?

Deixemo-nos de palavras não cumpridas e de utopias, mudemos as regras agora, porque está na hora de fazer o que manda o coração! Chega de infantilidades e cobardias, há que ter coragem de ser feliz e de o ser hoje, agora, neste momento, porque o passado já foi, não o podemos mudar, mas o futuro incerto só depende dos passos que damos no presente.

Reflexões #8 - Tentar, Falhar, Tentar, Conseguir





Quantas e quantas vezes nos apercebemos que todos os dias travamos uma constante luta de vontades que perdemos sempre? Quantas e quantas vezes nos dizem que os falhanços fazem parte da vida e só nos fortalecem? E quantas e quantas vezes insistimos no mesmo caminho?

Ou seja, imbuem-nos a noção de que o que importa é o gesto de tentar, ou ir tentando, melhor dizendo, até alcançarmos o objectivo pretendido. No fundo, transmitem-nos a ideia de que aquilo que nos estiver destinado há-de surgir na nossa vida mais cedo ou mais tarde. Porém, ter fé ou acreditar neste género de perspectiva, ou forma de pensar, não é assim tão fácil para quem tem tendência a cair no pessimismo e na autocomiseração. Estes são dois aspectos que ainda estou a tentar resolver para ser mais feliz, tal como aprender a relativizar.

É um ciclo vicioso difícil de quebrar, mas que se torna minimamente suportável devido à existência daquela vozinha insistente que me impede de desistir dos meus sonhos. É por essa razão que o pequeno poema que escrevi há poucos dias talvez seja o último da minha antologia poética: porque me cansei de ficar calada, porque quero que o mundo oiça o que tenho a dizer, uma vez por todas! E depois seja como a providencia determinar, porque pelo menos tentei.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Filhos do Vento e do Mar, Sandra Carvalho





Eis que, três desesperantes anos depois, surge a tão aguardada continuação de O Olhar do Açor; mais posso dizer que o desenlace vem no seu encalço dentro de um mês! É completamente impossível resistir e ficar indiferente à escrita de Sandra Carvalho e este volume, carregado de atribulações, revelações, mal-entendidos, narra a viagem na qual, em parte, Leonor e Guida se vêem forçadas a embarcar para sobreviver. É então que Leonor descobre capacidades que desconhecia, à medida que descobre que, de certo modo, a sua história se entrelaça com a dos piratas que tanta aversão lhe causavam, tornando-se mais forte ao abraçar o legado paterno; ao passo que Guida se torna medrosa e cautelosa demais, tornando quase excessivo o seu ensejo de proteger a amiga. Agora que a verdade foi revelada, o que será que irá acontecer antes do fim da viagem? Tomara que a providência do destino não se engane e o próximo volume leve esta história a bom porto!

quinta-feira, 20 de abril de 2017

e Deus fez-Se célula, Manuel Martinez-Sellés





Ofereceram-me este livro minúsculo no meu aniversário e, apesar de torcer o nariz a este género de tema, foi uma leitura interessante do ponto de vista da mera curiosidade. Sim, porque não imaginava cruzar-me com algo que tenta justificar factos biológicos com certas teorias teológicas, ainda para mais escrito por um médico com sete filhos! Porém, tenho de concordar que há certos procedimentos que causam muita estranheza e talvez até possam ir contra a lei natural das coisas, mas não exageremos. Na minha perspectiva, a vida deve ser respeitada, sim, mas há ocasiões em que, por exemplo, o aborto deve ser considerado uma opção para a mulher sem ser visto como crime ou "pecado", porque tudo depende das circunstancias e das convicções de cada um, tal como acontece com a decisão de ter filhos ou não, pois nem toda a gente tem esse ensejo. Por vezes a nossa própria biologia decide por nós, restando-nos apenas a conformação, pois quanto mais pensamos e insistimos em procurar a melhor forma de viver a vida, menos vivemos o presente.


sexta-feira, 14 de abril de 2017

Peaches for Monsieur le Curé, Joanne Harris




Depois de perder o folego com os volumes anteriores, confesso que não esperava o desfecho impreciso desta narrativa. Afinal, qual foi a escolha de Vianne? A autora apresenta-nos, mais uma vez, uma mistura de odores e sabores que nos deixam perpetuamente com água na boca e agarrados ao desenrolar dos acontecimentos, já para não falar da vivida abordagem que faz ao confronto de culturas: intrigante e séria, que nos suscita um misto de emoções contraditórias. Por outro lado, também nos deixa com a sensação de que a história ainda não terminou, porque na verdade, personagens com Vianne, Anouk, Rosette, Roux e Francis Reynaud são personagens dificieis de esquecer e arrumar na prateleira! Apesar de o enredo não ser prefeito ou tão misterioso quanto os anteriores, resta esperar para ver o que acontece a seguir.

terça-feira, 21 de março de 2017

Very Good Lives, J. K. Rowling





Continuando na linha dos exemplos de realização, não poderia deixar de comentar aqui o discurso de J. K. Rowling como oradora na cerimónia de formatura da Universidade de Harvard, em 2008. O exemplo / experiência de vida desta autora é também um dos mais inspiradores, não só porque nos diz que o falhanço é necessário à nossa aprendizagem enquanto seres conscientes, mas também nos diz que é quando estamos no fundo do poço que descobrimos aquilo de que realmente somos capazes. Para além disso, reforça a ideia de que a nossa imaginação é algo precioso e que não deve, sob circunstancia alguma, ser descurada por ser a nossa principal ferramenta para mudar a realidade que os rodeia. O discurso de Rowling transmite nos ainda a noção de que, se inspecionarmos bem a nossa consciência, não há maior acto de humildade do que reconhecer os nossos falhanços como uma parte importante do processo de concretização dos nossos sucessos.

Verdade seja dita que para se viver uma boa vida basta dar o nosso melhor todos os dias ou, como dizia Fernando Pessoa (Ricardo Reis, 14-2-1933):

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.