Este começou por ser mais uma das minhas leituras obrigatórias da faculdade e, como tal, acabou por perder o interesse na altura. Mas como os clássicos são sempre os clássicos, achei que estava na altura de lhe dar uma oportunidade. Não é mau, mas também não acho que seja um ex-libris literário. Aquilo que começa por ser um acto de rebeldia e aventura, rapidamente se transforma numa longa penitência. Contudo, o protagonista contorna a sua situação desesperada numa vida razoavelmente confortável, inventando e construindo quase tudo de raiz. Robinson torna-se caçador, agricultor, construtor, pastor, etc., para poder sobreviver na ilha. Além disso, o passar dos anos torna-o cauteloso, mas não elimina a esperança de uma dia sair da ilha e quando se lhe apresenta essa oportunidade não hesita. É mais uma daquelas narrativas que nos mostra quão tolos corrermos o risco de ser quando somos novos e como, muitas vezes, só alcançamos o arrependimento face à impetuosidade juvenil muito mais tarde na vida. Esta história faz-me lembrar, em certa medida, a parábola do Filho Pródigo; e embora Robinson regresse a uma casa deserta após 35 anos de ausência, é capaz de reconstruir a sua vida na sociedade. Tal como ele, muitas vezes recusamos ouvir os conselhos dos mais velhos e, ao agir consoante a nossa vontade, acabamos por nos perder na ironia intrínseca da vida, cujas circunstâncias nem sempre nos cabe a nós controlar, por isso há que reflectir bem nas nossas acções e nas suas consequências.

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