Ultimamente, tenho-me apercebido de que há muita coisa deturpada a nível cultural na nossa sociedade portuguesa, o que me levou a indagar: Afinal o que aconteceu à nossa cultura, que era tão rica em tradições e que agora não passa de um fantasma? Se a nossa cultura faz parte da nossa identidade enquanto povo e país, então por que razão não a preservamos e cultivamos? Porque é que a deixamos degradar-se diante dos nossos olhos?
Não falo somente acerca da controversa questão dos apoios às artes que tanta discussão tem gerado, segundo as notícias mais recentes, mas também sobre todos os outros aspectos! Irrita-me profundamente o aparente desprezo e indiferença demonstrados para com aquilo que é uma das bases fundamentais da nossa existência enquanto nação individual. É por isso que, como cidadã e como escritora, não posso tolerar este comportamento desrespeitoso para com a cultura portuguesa cultivada pelos nossos antepassados ao longo de gerações.
Acontece que, por exemplo, mesmo as tradições mais emblemáticas da passagem do ano, como a Páscoa e o Natal, alturas em que se deveria prezar estar em família, celebrar e agradecer as benesses da vida, chegaram aos dias de hoje tão deturpadas que duvido que alguém saiba a sua devida origem. Mas, mais uma vez, para que a situação mude, tem de haver força de vontade de parte a parte, pois é preciso que todos para o objectivo comum; infelizmente, dado o actual estado das coisas, esse passo importantíssimo está ainda muito longe de acontecer. Resta-nos, talvez, esperar que alguém reclame para si a coragem de avançar e chamar quem de direito à razão, porque isto assim não pode continuar, não podemos viver com uma cultura desvalorizada!

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