Comecei a leitura desta saga há pouco mais de três anos, depois de alguma hesitação, mas tenho de confessar que foi aquela que me arrebatou do primeiro ao último instante e que me inspira profundamente. Atrevo-me a dizer que é, sem dúvida, das melhores sagas, senão mesmo a melhor, de high fantasy escrita em português. Com a mestria somente possível a um excelente contador de histórias, Sandra Carvalho deu vida à Saga das Pedras Mágicas, narrada por três gerações de mulheres. O role de personagens fortemente caracterizadas por uma profunda densidade psicológica, que se movem em torno de cada uma delas é também admirável, tal como a sucessão de acontecimentos que constituem a narrativa. Trata-se de uma escrita simples, mas carregada de descrições capazes de atirar o leitor para o cenário onde se movem as personagens, assim como também suscita emoções fortes. É sem dúvida aquela saga que vou querer reler e reler vezes sem conta. Espero continuar a acompanhar o trabalho da autora como o mesmo fervor com que li a Saga das Pedras Mágicas.
domingo, 14 de julho de 2013
terça-feira, 18 de junho de 2013
Changeling, Philippa Gregory
Há já algum tempo que tinha curiosidade em ler esta autora. Devo confessar que para mistura de contexto histórico-religioso (tendo a inquisição como pano de fundo) e sobrenatural resulta bem neste livro, pois se por um lado as perseguições eram uma realidade, por outro, a combinação de personagens fortes e bem caracterizadas numa jornada sem aparente fim à vista, projectam uma outra perspectiva sobre o medo e o fanatismo religioso acerca do fim do mundo. Passada no ano de 1453, esta narrativa fictícia apresenta-nos Luca e Isolde, dois jovens de dezassete anos, cujos rumos se cruzaram como que por obra do acaso e que são "forçados" a enfrentar os medos da Idade Média, embarcando numa busca pela verdade, os seus destinos e até o amor que teimam em contrariar. Creio que este é um daqueles livros que nos fazem pensar e interrogar o mundo à nossa volta e mesmo quem não é grande apreciador de romance histórico não deve deixar passar ao lado a oportunidade de o ler.
sábado, 15 de junho de 2013
Ida à Feira do Livro de Lisboa!
Mais uma vez realizou-se a Feira do Livro de Lisboa no Parque Eduardo VII, recheada de novidades e actividades literárias para toda a família. É verdade que hoje em dia o mote que se ouve mais é que estamos em crise e que é preciso poupar cada cêntimo. Mas isso não significa que devamos descorar as oportunidades de passar bons momentos e um livro é sempre uma boa companhia e um bom motivo para sair de casa!
Para mim, os livros são uma parte fundamental de mim. Foram a minha (quase) única companhia durante muito tempo e continuam a ser a minha melhor distracção. E por isso mesmo, também não pude deixar de passar pela feira, pela segunda vez consecutiva para satisfazer a curiosidade e também para adquirir um dos livros que mais anseio ler (o mais recente da Sandra Carvalho, que tive o prazer de conhecer pessoalmente o ano passado). Espero que tenham tido a oportunidade de passar por lá, mesmo que só para passar a ver os títulos disponíveis.
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Pride and Prejudice, Jane Austen
Como não podia deixar de ser, a tão aclamada obra-prima de Jane Austen já faz parte da minha biblioteca. Sem dúvida uma das melhores obras da literatura inglesa do século XIX, que continua a inspirar gerações. Repleto de personagens hilariantes, este é um dos must have para quem é dado à leitura. A oposição entre o
orgulho aristocrata e o preconceito da classe média, dá aso a uma espécie de
jogo conflituoso e cómico. Aparentemente, Elisabeth Bennett e Mr. Darcy não têm
nada a ver um com o outro e dificilmente estão de acordo em alguma coisa, mas
isso só torna ainda mais interessante a forma como a sua relação evolui. Mas à medida que as peripécias acontecem e os mal-entendidos se desfazem, Elizabeth ultrapassa o preconceito e Darcy o orgulho, e aquele que parecia ser o par mais impossível de todos encontra o seu happy ending e com isso funde classes sociais diferentes, assim como Mr.
Bingley e Jane, sendo a mensagem evidente: é possível conviver com as
diferenças e ultrapassá-las, sobretudo as de classe. Em simultâneo, pode
dizer-se que o casamento de Mr. Collins e Charlotte Lucas é o resultado somente
das circunstâncias: ele não passa de um clérigo tolo dependente da sua
subserviência a um patrono, ela apenas por uma questão de oportunidade por ser
um peso para a família. Já Mrs. Bennett e as duas filhas mais novas vivem numa
constante futilidade histérica em relação à perspectiva de arranjar um
casamento favorável, embora isso se deva em grande parte à inexistência de um
filho varão. Por fim, é inevitável referir Wickham, o qual se comporta de forma
semelhante a Willoughby, e apesar de lhe ser aplicado o castigo devido, sendo
que ambos mostram uma total falta de escrúpulos e de carácter, mas por razões
diferentes.
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Chocolat, Joanne Harris
Apesar de só ter descoberto o livro depois de ter visto o filme devo dizer que me surpreendeu e que adorei. Embora seja bastante diferente da adaptação cinematográfica, trata-se de uma excelente obra, cujo enredo vivo e personagens fortes prende o leitor do princípio ao fim e nos deixa de água na boca. A apresentação de duas perspectivas ao longo da narrativa é bastante interessante e irreverente, se assim lhe posso chamar; e a transformação por que passa a pequena vila de Lansquenet num tão curto espaço de tempo, é extraordinária. Creio que este livro é uma daquelas obras que se lêem repetidamente, sem nunca nos cansarmos dela e aconselho vivamente; é um misto de passado, presente, futuro, a ideia incerta do bom e do mau cristão, a ideia da tentação e do pecado, uma mistura viva de cores e sensações.
Northanger Abbey, Jane Austen
Com a caprichosa e elegante sociedade de Bath e a misteriosa, gótica, Northanger Abbey como pano de fundo, Jane Austen deixou-nos a sua sátira aos romances góticos da sua própria época. Esta talvez seja a novela mais curta que Austen escreveu, mas não deixa de ser hilariante. Em Northanger Abbey o leitor é confrontado com uma sátira perspicaz, a qual vem criticar e expor o exagero absurdo do romance gótico que emergia na época. A protagonista Catherine Morland é apresentada como uma rapariga bonita, mas cuja imaginação demasiado fértil, alimentada pela sua leitura de obras góticas, a par com a sua ingenuidade, a conduz a uma tremenda humilhação. Por outro lado, o facto de Henry Tilney não ser um herói romântico confere à obra uma dimensão muito mais realista, apesar de terminar com o noivado entre eles. Gosto sobretudo da relação que Catherine mantém com o irmão e mesmo com Henry Tilney. Recheado de personagens hilariantes e uma heroína sonhadora e um tanto ingénua que procura ser aceite e integrar a sociedade do mundo que conhece, Northanger Abbey é uma mistura de aventura e crítica. Quando Catherine é apresentada aos Thorpes, tudo o que ela deseja é formar uma boa amizade com Isabella, apesar de não suportar o irmão desta. Por outro lado, da sua genuína afeição aos Tilneys, que é retribuída, resulta uma amizade verdadeira e apesar da mesquinhez de Jonh Thorpe tudo se resolve pelo melhor.
quarta-feira, 3 de abril de 2013
83ª Feira do Livro de Lisboa!
Parece que vem aí mais uma edição da Feira do Livro no Parque Eduardo VII. Não percam as novidades e aproveitem para adquirir boa companhia para o Verão!
terça-feira, 19 de março de 2013
Peter Pan, J. M. Barrie
Como não poderia deixar de ser, estava mais do que na altura de ler a obra original de uma das histórias que mais me fascinou enquanto criança. E digo, sinceramente, é extraordinária. A escrita de Barrie é simplesmente deliciosa e fácil de ler, sendo que o tema da infância o torna hilariante. É possível rir e exasperar com o Peter e a Tinker Bell, adorar a Wendy ou torcer o nariz com o Hook. Mas apesar disso, lembrar a importância da fantasia e do faz-de-conta enquanto criança. Sem dúvida, esta é uma das histórias que muito inspirou gerações e continua a inspirar, dos momentos de rir aos de suspense; mas conta já com tantas adaptações que por vezes a verdadeira origem fica um pouco esquecida, creio. No entanto, não é demais lembrar: leiam-no e divirtam-se, porque vale mesmo a pena!
O Meu Encontro Com a Vida, Cecelia Ahern
Mais uma vez não pude não devorar e surpreender-me com a obra de Cecelia Ahern. Com uma escrita leve e divertida, repleto de momentos hilariantes e outros que suscitam frustração, O Meu Encontro com a Vida garante um bom par de gargalhadas. Não só nos surpreende pelo incomum da situação, mas porque ninguém pode ficar indiferente à personalidade de Lucy. Quando a sua vida entra em descalabro total por causa das mentiras que Lucy conta a todos os que a rodeiam (e a ela própria) é, nem mais nem menos, a própria Vida que intervém. Para o comum mortal poderia não fazer qualquer sentido, mas a situação torna-se tão casual como tomar um café; assim que Lucy aceita a presença da Vida. A mensagem é simples de entender: só temos a perder quando negligenciamos a nossa vida e nos enganamos a nós próprios e, entre uma família um tanto ou quanto disfuncional e a estranha personagem que aparenta ser a vida, Lucy é, literalmente, arrastada para um verdadeiro duelo entre a verdade e a mentira, entre o certo e o errado. Este é mais um daqueles livros que não deve deixar de ser lido, por motivo algum!
Persuasion, Jane Austen
Para quem gosta de literatura do género, Jane Austen deve constar na lista. Com a escrita característica de uma das primeiras escritoras inglesas do século XIX, em Persuasion, Austen apresenta-nos a história de um romance que à partida parece não ter futuro. Acontece que Anne não se enquadra no género de jovem impulsiva; é ponderada, calma, mas um tanto ou quanto ignorada na própria família. O seu carácter passivo inspira empatia, mas é também algo exasperante, pois a mesma representa a filha obediente, que não contesta o que lhe é dito. Porém, é possível entender por que razão a protagonista age dessa forma, pois aquando do seu enlace com Frederick Wentworth, o mesmo não tinha quaisquer posses, o que pesava contra ele face ao julgamento de Sir Walter Elliot. E quando vê negado o consentimento paterno e a aprovação da grande amiga da sua mãe, Anne rompe o noivado com Frederick Wenthworth, um jovem sem conexões sociais e somente ele próprio como recomendação. Os dois reencontram-se ao fim oito anos, por força das circunstâncias, mas também aqui Austen parece conduzir os acontecimentos de modo a que os protagonistas se cruzem propositadamente, com algum constrangimento e falsas interpretações de ambas as partes. No entanto, a solidez dos equívocos prende-se sobretudo pelas posições e opiniões defendidas por personagens como a sensata Lady Russel, madrinha de Anne, a snobe Elisabeth Elliot e a caprichosa e infantil Mary Musgrove, os oportunistas Mrs. Clay e William Elliot, sobrinho e possível herdeiro de Sir Walter, o despreocupado Charles Musgrove e a jovem Louisa, etc. Além disso, tal como acontece nas anteriores, a obra culmina no casamento, sendo a maior ironia de todas, creio, o facto de somente no final Wentworth perceber que os sentimentos de Anne se haviam mantido inalterados todos aqueles anos. Mais uma vez o suspense da incerteza toca o lado sensível de leitor, se o mesmo estiver disposto a isso, mostrando que mesmo quando tudo parece perdido, há sempre motivo para ter esperança.
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