quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Pedaços de Escrita #2






- Posso dançar no teu coração e colar-me à tua alma? - perguntou-me a menina.
- Como assim? - disse eu confuso.
- Oh, tu sabes, ficar contigo para sempre - disse ela, os olhos muito brilhantes.
- Sim, podes - sorri eu - Mas tu já lá estás, no meu coração.
- Estou?
- Estás.
Ela sorriu em resposta, riu sonoramente e correu para o pôr-do-sol. Depois simplesmente parou, agarrou a minha mão e caminhámos junto para casa.

Pedaços de Escrita #1





Escrever é algo complexo e nem sempre funciona de acordo com a vontade do escritor. Tem a sua própria forma de desenvolvimento, umas vezes rápido, outras vezes lentamente. Mas no fim alcança o objectivo, nem sempre na perfeição. Escrever é uma arte, um dom que apenas alguns sabem como usar. É algo que requer treino e esse treino é feito através da escrita, corte, reescrita e leitura. Oh, sim, a leitura é a base primeira do processo, porque através da leitura o vocabulário é melhorado e consequentemente a escrita. Assim que este processo começa, melhor o escritor se torna.

O escritor, muitas vezes incompreendido, é aquele que detém o dom das palavras. Conhece-as, abraça-as, usa-as como forma de contar histórias, escrever poesia, pensamentos ou ideologias, com o intuito de fazer as pessoas pensarem sobre o que as rodeia e olhar para a vida de um ponto de vista diferente. O escritor está preparado para lidar com o, frequentemente, frustrante mas também maravilhoso processo de escrever. Pode ser frustrante, porque a inspiração é uma criatura rara que não se deixa apanhar facilmente e o escritor tem de esperar que ela apareça e seja favorável aos seus propósitos. Além disso, a mente do escritor pode ser vista como estranha, excêntrica ou até confusa e incompreensível para as pessoas. Mas é isso que torna o escritor diferente das pessoas comuns e enquanto os outros continuam a queixar-se de quão aborrecidas e "normais" as suas vidas são, o escritor vive em muitos mundos ao mesmo tempo.

Por isso, toda a gente tem o seu dom ou arte especial que provavelmente aguarda para ser descoberto e trabalhado para que o mundo o possa ver. O meu é a escrita e através dele, deixo o meu legado em palavras. Eu sou uma escritora com imaginação ilimitada, vivo com um pé na realidade e outro noutro lado qualquer e a sonhar de olhos abertos; tenho uma mente naturalmente caprichosa. Tenho a liberdade de ser excêntrica, porque sou uma criadora de mundos e todo o processo de criação é excêntrico.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Entre o Agora e o Nunca, J. A. Redmerski





Quantas vezes imaginamos como seria bom fugir do quotidiano rotineiro que a sociedade nos impõe e viver de acordo com a nossa liberdade? Viajar simplesmente sem destino, ir onde a vida nos levar? Não tenho palavras para descrever este livro! É pura e simplesmente uma excelente narrativa, impossível de pousar por um só segundo, e arrebatadora desde o início ao fim. A caracterização dos protagonistas é perfeita e o enredo desperta-nos as mais variadas emoções. Uma história que fala de amor, erotismo, lealdade e identidade de uma forma directa e vivida, a relação entre duas pessoas que à partida, nada têm a ver uma com a outra, mas que se cruzam por força do destino e que não desistem uma da outra, mesmo quando a vida lhes tenta trocar as voltas. É sem dúvida uma excelente narrativa para reler vezes sem conta.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Obrigada pelas Recordações, Cecelia Ahern





Mais uma vez, Cecelia Ahern esmerou-se na elaboração deste romance, onde o real e o imaginário se cruzam sempre da maneira característica da autora. O que acontece a Joyce podia acontecer a qualquer pessoa, se uma transfusão se sangue foi mais do que o que realmente é. Como é seu hábito, Ahern faz-nos sentir um turbilhão de emoções com cada um dos seus romances, mas sempre diferencia as lições a tirar de cada história; aqui, diria que talvez nem sempre uma coincidência seja só uma coincidência e por vezes, as oportunidades pela quais ansiamos se encontrem mesmo debaixo do nosso nariz e compete-nos a nós, não as desperdiçar. Há ainda outra coisa que considero importante reter, que é o facto de que na maior parte das vezes, estamos de tal modo agarrados ao que conhecemos e sabemos estar mal, que nos falta a coragem de enveredar por outro caminho, visto que as situações dolorosas são muito difíceis de enfrentar e quando nada quotidiano faz sentido, tentamos tirar sentido de coisas quase impossíveis de acontecer. Esta autora tem o dom de continuar a surpreender-me e cada vez aprecio mais a sua escrita fluída e leve, que proporciona uma leitura descomprimida, mesmo referindo assuntos tão sérios que fazem parte do nosso quotidiano enquanto pessoas.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Livros novos!























Acontece que tive a sorte de passar em Portimão na precisa altura em que se realizava uma feira do livro e arrecadei mais estes dois para a minha biblioteca em constante crescimento. Serão estas as minhas próximas leituras, após a segunda leitura de A Máscara da Raposa, a comentar aqui no blog. Votos de bom Verão e boas leituras! Bem-haja!

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Harry Potter, J.K.Rowling





Como não poderia deixar de ser, partilho agora convosco, a minha opinião sobre a saga que fascinou toda uma geração, que atingiu o sucesso inesperado num curto espaço de tempo e que continua a inspirar crianças e jovens em todo o mundo. Considerada a obra-prima de J. K. Rowling, Harry Potter é sem dúvida uma das melhores obras da literatura juvenil. Ainda me lembro do furor causado pelo primeiro livros entre os meus colegas de escola e sei que acabei por pedi-lo como prenda de Natal; li os primeiros três entre os nove e os dez anos e, por qualquer razão, só dei continuidade à leitura aos catorze ou quinze anos. O facto é que o universo fantástico criado por Rowling é inigualável, tal como acontece com outros grandes escritores. O rumo dos acontecimentos de um livro para o outro sucede-se a um ritmo alucinante, que suscita no leitor os mais diversos sentimentos: empatia, aversão, suspense, curiosidade, etc; para não falar no role de personagens, tão diferentes umas das outras como o dia da noite, que a autora criou. Está longe de ser uma história romanesca, sendo antes uma história de coragem, amizade, amor e sacrifício, mas também de lealdade e heroísmo; a história de um rapaz que sobreviveu contra todas as probabilidades à maior das crueldades e se tornou um herói para o mundo dos feiticeiros.

domingo, 3 de agosto de 2014

A Saga das Ilhas Brilhantes, Juliet Marillier





Esta obra foi, de facto, a primeira coisa que li de Juliet Marillier e já na primeira leitura, a história de Eyvind e Somerled, me suscitou sentimentos diferentes, não só por causa da estranha e improvável amizade que se estabelece entre dois rapazes tão diferentes, mas também devido às lições que nos ensina: que por vezes o nosso rumo não é aquele que almejamos, mas sim aquele que a sorte nos reserva, que em tudo deve existir equilíbrio, que é necessário lutar pela verdade independentemente dos sacrifícios e reconhecer o valor da vida e do amor. Por outro lado, adoro a simplicidade do relacionamento de Eyvind e Nessa, que é tão natural, tão puro e tão forte apesar das diferenças culturais que os separam, que desejamos que o mesmo aconteça na realidade.




Num ritmo mais rápido do que a narrativa anterior, a narrativa de Máscara de Raposa situa-se dezoito anos depois e dá vida aos filhos dos dois amigos: Thorvald e Creidhe. Ao contrário do volume anterior, esta obra trata de uma demanda em busca da própria identidade, uma viagem ao desconhecido que transforma  não só os dois amigos, mas também as personagens que os circundam. Também aqui surgem sentimentos diversos em relação a certas personagens, mas mais do que isso, há uma certa continuidade das lições transmitidas no livro anterior. Pode não ser do meus preferidos, mas o certo é que temas como amizade, amor, lealdade, sacrifício, etc, estão fortemente presentes e compõem esta história como só Juliet Marillier sabe fazer.

terça-feira, 8 de julho de 2014

O Olhar do Açor, Sandra Carvalho





Depois da fantástica Saga das Pedras Mágicas, Sandra Carvalho apresenta-nos Crónicas da Terra e do Mar, centrada na época histórica dos descobrimentos portugueses, conectando fantasia e realidade numa história emocionante, com o século XV como pano de fundo. Neste primeiro volume, O Olhar do Açor, a autora dá-nos a conhecer um role de personagens que imediatamente amamos ou odiamos, no ritmo vivido tão característico da sua escrita, provando a sua versatilidade. Repleto de "intriga, ganância, amor, paixão e uma aura de misticismo", este é, de facto, um grande romance, de uma grande autora portuguesa, a prova de que high fantasy português tem vindo a estabelecer o seu valor. Dado que é impossível ficar indiferente ao destino das personagens de Sandra Carvalho, confesso que mal posso esperar pelo desenrolar desta narrativa tão particular. Impossível não ler de um fôlego!

sexta-feira, 27 de junho de 2014

A Princesa que Acreditava em Contos de Fadas, Marcia Grad





São poucos os livros com que me identifico emocionalmente e este é um deles. Não sei explicar, mas de alguma forma, revejo parte da minha personalidade fantasiosa na protagonista e por várias vezes dou por mim a colocar as mesmas questões. É, sem dúvida, uma excelente reflexão sobre a importância do amor e da distinção entre fantasia e realidade, que provoca no leitor a necessidade de analisar certos aspectos da sua vivência, mas também proporciona uma leitura agradável, cheia de humor. Numa escrita fluída e simples, Marcia Grad apresenta-nos uma narrativa enternecedora que nos ensina o valor da introspecção, não só em relação a nós próprios, como também na nossa relação com o outro. Muitas vezes, são estas "historietas" as que nos ensinam as maiores lições.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Ida à Feira do Livro!





Hoje passei na feira do livro para espreitar as novidades, mas sobretudo para aproveitar os preços da feira e o resultado foi este: as duas primeiras leituras de Verão! O da esquerda de uma autora portuguesa de que gosto muito e já tive o prazer de conhecer há dois anos nesta mesma feira e o da direita parece bem sugestivo para quem gosta de uma boa leitura. Gostaria de ter podido adquirir mais, mas não foi mesmo possível diminuir mais a lista que parece não minguar! E vocês, já lá foram? Aproveitem e já agora, não se esqueçam de participar na campanha de recolha! Bem haja!