Redmerski apresenta-nos mais uma narrativa arrebatadora, que nos fala de escolhas e liberdade, mas sobretudo sobre ultrapassar o passado e conquistar a felicidade. O enredo talvez seja mais simples, mas as personagens são sempre muito vivídas, muito reais; mais do que isso, porque uma relação que à partida parece não ter futuro nenhum, é mais verdadeira do que qualquer outra coisa. O facto de se passar num cenário idílico desperta uma certa vontade de largar a realidade e seguir um rumo mais livre e verdadeiro. Em suma, aquilo que queremos é possível de conseguir, basta ter a coragem de seguir o instinto do nosso coração. Não sei porquê, mas acredito que este é o género de amor que faz sentido; pena nem sempre como imaginamos, porque seriamos muito mais felizes.
segunda-feira, 18 de abril de 2016
sexta-feira, 8 de abril de 2016
O Regresso dos Lobos, Sarah Hall
E ao meu abrangente reportório literário juntou-se mais uma obra recente e, por mero acaso, de uma autora com um certo renome. Estou ainda a tentar recuperar do transe em que mergulhei com este livro. A escrita directa e algo elaborada de Sarah Hall é excelente e a narrativa prende o leitor do início ao fim, decorrendo num ritmo rápido, mas reflexivo, que aborda tanto as fronteiras entre o selvagem o civilizado, o certo e o errado, o agora e o amanhã, como a miríade que de escolhas que compõem a nossa condição humana, seja qual for o momento em que nos encontramos. Para além disso, apresenta personagens carismáticas, enigmáticas e realistas, que compõem um enredo elaborado e intrigante. Uma leitura marcante para quem se debate com as questões inevitáveis da vida e contempla o equilíbrio utópico da relação entre o lobo e o Homem.
quarta-feira, 6 de abril de 2016
Pedaços de Escrita #46
O ar cheira a Primavera; é morno e cálido, a luz do sol aquece verdadeiramente depois de tantos dias de tempo incerto. A brisa murmura por entre o restolhar das copas das árvores, onde os pássaros chilreiam incessantemente, cruzando conversas entre si. A tarde está impregnada de uma calma languida que promete liberdade, os campos reluzem, prenhes de luz e cor. O céu tornou-se mais azul, mais vivido e deslumbrante. Os dias mais longos trazem realização aos sonhadores e as artes, recolhidas durante o Inverno em severa hibernação, florescem em espontaneidade e fulgor, pespegando inspiração e alegria por onde passam. O calor morno e primaveril enche a floresta de vida e de júbilo, revelando todo o seu esplendor num simples toque. A luz, os sons, as cores e os cheiros ecoam plenamente pelas florestas, pelos vales e pelas montanhas. A Natureza renascida em toda a sua pujança e força, sob a luminosidade cálida de uma tarde de Primavera.
terça-feira, 5 de abril de 2016
86ª Feira do Livro de Lisboa!
Estamos mais uma vez em contagem decrescente para a Feira do Livro de Lisboa, que este ano conta a sua 86ª edição, e se realizará entre 26 de Maio e 13 de Junho, no Parque Eduardo VII. Se o ano passado a feira prometia, este ano ainda mais. Verdade seja dita que a cada ano a expectativa aumenta e a feira não desilude. É um grande marco cultural importante que promove a leitura para todas as idades e gostos. Para além disso, é uma excelente oportunidade de passar bons momentos em família, conviver e fazer algumas novas aquisições. Da minha parte, espero ansiosamente poder aproveitar ao máximo o espaço da feira. Quem sabe se não acontece algo inesperado?
quinta-feira, 31 de março de 2016
Pedaços de Escrita #45
Os lobos uivam à lua, quebrando o silêncio monótono da noite. Na quietude do bosque que rodeia a cabana, uma coruja pia em aviso que vai à caça. A noite é fria na montanha, onde a beleza e o perigo andam de mãos dadas; lá em cima, nos cumes, ainda há neve, um tapete compacto que decerto encherá os riso quando derreter. O assobio cortante do vento junta-se aos uivos dos lobos, enquanto vou escrevendo, sentada numa posição esquisita junto à lareira crepitante.
A noite é sempre melhor para escrever, porque há espaço para criar sem a interferência do reboliço quotidiano. É mais fácil trabalhar as palavras e brincar com elas com a companhia sussurrante da euforia nocturna. O texto compõe-se quase por si próprio e a mente acelera com novas ideias, urgentes, que têm de ser atendidas. Escrevo pela noite dentro, acompanhada pela sinfonia dos uivos dos lobos e do vento, enquanto a lua segue o seu caminho pelo zénite, até à hora da calmaria que antecede a aurora de um novo dia de Primavera.
terça-feira, 8 de março de 2016
Pedaços de Escrita #44
Ode a nós, mulheres, que trazemos vida ao mundo e damos sempre o melhor de nós, que nos esforçamos até à dor para iluminar uma sala com a nossa presença, que sorrimos mesmo quando queremos chorar, que descobrimos forças onde apenas existe o vazio. Ode a nós, mulheres, que enfrentamos os desafios de cabeça erguida, que procuramos soluções criativas, que nos empenhados em cumprir os nossos objectivos e alcançar as nossas metas. Ode a nós, mulheres, que completamos o mundo com o nosso mistério.
segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016
Pedaços de Escrita #43
Era uma noite tempestuosa, fria e escura. Chovia torrencialmente e caia granizo, a força do vento dava voz à borrasca. Felizmente não trovejava. Ellie enroscara-se no sofá com uma manta sobre as pernas, um livro e uma caneca de chocolate quente. Não pretendia dormir até Drew chegar a casa, porque se sentia mais segura à noite quando ele estava. Desde que se lembrava, tinha medo de dormir sozinha e quando ele não vinha, Ellie não dormia; ficava a ler ou a ver filmes. Nessa noite, pelo menos não estava rodeada pelo silêncio, algo que sempre detestara.
Acabara de beber o último golo de chocolate quando começou a cabecear e ao fim de algum tempo fechou os olhos. Mas continuava a ouvir a chuva a tamborilar na vidraça e atenta a qualquer movimento. O cansaço acumulado ameaçava vencê-la, mas Ellie não se deixou vergar e continuou à espera. Embrulhou-se melhor na manta, inspirou fundo e concentrou-se na chuva.
Então ouviu o estalido metálico da porta e sentou-se devagar no sofá. Drew surgiu à porta da sala, esboçando um sorriso encorajador e Ellie levantou-se para o ir abraçar.
- Demoraste - murmurou ela.
- Desculpa, a chuva atrasou-me - respondeu ele sem deixar de sorrir.
Ficaram abraçados naquela calmaria apenas quebrada pela chuva por algum tempo. Drew beijou-a na testa e disse:
- É tarde, devíamos ir dormir.
Ellie não respondeu. Quando Drew olhou para ela, reparou que adormecera e carregou-a até ao quarto. Deitou-a sobre as cobertas macias, trocou de roupa e deitou-se ao lado dela, cobrindo ambos com uma manta. Abraçou-a e fechou os olhos. Na quietude do quarto o único som que continuava a fazer-se ouvir era o tamborilar constante da chuva na janela e o assobio do vento daquela noite tempestuosa, fria e escura.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
A Casa Redonda, Louise Erdrich

Quando um livro, além de best-seller, é também premiado deve ser mesmo bom. Não costumo ler livros premiados, nem os escolho por isso; escolho-os consoante aquilo que me chama à atenção na sinopse ou consoante o tema. Para além disso, e que me lembre, não há muitas obras que tenham por base um contexto de factos verídicos. Este livro retrata temas muito fortes de uma forma um tanto ou quanto simplista e incompleta, como é natural da perspectiva de um miúdo de treze anos que a autora nos apresenta. Por outro lado, o facto de evocar a complexidade as questões legais (e não só) em relação às reservas onde vivem os indíos norte-americanos, que ainda hoje provocam tensão nos EUA, chama à atenção para a necessidade de soluções para determinados problemas que não se resolverão se a comunidade continuar a fingir que está tudo bem; isto porque o racismo e a violência contra as mulheres continuam a ser problemas sociais presentes no mundo contemporâneo e estão longe de ter um fim à vista. Esta é uma obra que proporciona uma leitura reflexiva sobre a força de carácter e integridade necessárias a proceder correctamente, mas também sobre as consequências que advêm das atitudes mais inocentes.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
A Voz, Juliet Marillier
Um mês após a leitura de O Voo do Corvo, eis que me deparei com o momento da verdade sobre esta trilogia. Neste último volume, depois dos acontecimentos decisivos que lançaram Neryn, Flint, os Boa Gente e os Rebeldes numa corrida contra o tempo, Marillier apresenta-nos o lado vitorioso da perserverança e da coragem, mas também a mágoa da perda e o confronto cru com a própria consciência. A narrativa de Marillier é tão excelente que nos desperta uma miríade de emoções, como se vivêssemos a história ao lado dos protagonistas, algo que, na minha sincera opinião, não acontece com qualquer autor. Gostei muito das obras de Marillier que li anteriormente, desta gostei mais ainda que rapidamente se tornou uma grande favorita e acho que a autora dificilmente deixará de nos supreender.
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
Pedaços de Escrita #42
- Já não se usam chapéus - dizia a avó Julieta enquanto atravessávamos a rua ao regressarmos do chapeleiro. - Sabes, Lúcia, os chapéus costumavam ser um adereço muito importante na toillette de uma senhora.
Para a avó Julieta a toillette de uma senhora queria dizer muita coisa. Como as senhoras já não usam chapéus, a avó acha que não são verdadeiras senhoras. Eu não disse nada, porque nesse momento bem que teria dispensado o meu chapéu, que me fazia suar em bica, pela cara e pelo pescoço. A minha carteira saltitava de encontro à minha anca, enquanto transportava os sacos das compras pela rua acima. Daí a pouco a minha avó comentou casualmente:
- Hoje em dia as moças novas não ligam nenhuma à etiqueta da toillette, pois não?
Reprimi um sorriso, pensando na minha irmã Madalena com a sua minisaia e top justo quando sai à noite. A avó teria um ataque se a visse assim vestida, mas para nós era normal. Às vezes olhava-nos de lado por causa de uns simples calções.
- É um tempo diferente, avó - respondi, suspirando aliviada quando a Maria nos abriu a porta e me tirou os sacos das mãos.
- Pois, lá nisso tens razão, filha - aquiesceu a minha avó. Um segundo depois acrescentou: - Mas vocês tenham tino com o que vestem, Lúcia, que as más-línguas estão sempre prontas para julgar os outros! Além disso, as primeiras impressões que se tem sobre uma pessoa são as mais importantes.
- Sim, avó - respondi, escondendo a minha expressão enquanto pendurava os chapéus no bengaleiro e pousava as malas na banqueta. - Mas, explica-me lá, avó, porque é que os chapéus eram tão importantes na toillette das senhoras?
- Ah, os chapéus! Eram de todas as cores e feitios, havia-os grandes e pequenos; eram parte da própria moda - contava a avó com um ar sonhador, sentada na sua poltrona favorita. Eu sentei-me de pernas cruzadas no sofá e ali fiquei o resto da tarde, a ouvir histórias sobre chapéus.
Subscrever:
Comentários (Atom)




