Nestes dois volumes, torna-se tudo muito mais complicado, mas são também muito reveladores em termos de suspeitas relativamente a alguns segredos deixados no ar nos volumes anteriores. A verdade está longe de ser descoberta na integra, as querelas agravam-se e perante o caos e o pronúncio do Inverno, há uma reconquista eminente, mas resta saber quem lhe sobreviverá e qual o fim desta grande saga. Não há dúvida que Martin escreveu com empenho e dedicação, uma história cavaleiresca de proporções épicas, onde nada é o que parece e cujas revelações são tão abruptas se sucedem umas às outras com uma rapidez vertiginosa.
quarta-feira, 6 de julho de 2016
O Festim dos Corvos e O Mar de Ferro, George R. R. Martin
Depois da atribulação causada pela guerra, o rescaldo dá origem a uma nova onda de intrigas, cada vez mais complexa, sem que se aviste um fim para as mentiras e meias verdades engendradas para atingir seja que objectivo for. Por cada situação a que se assiste o desfecho, Martin cria mais duas ou três, só para nos confundir mais um bocadinho, mas sempre mantendo as nossas expectativas em suspenso e fazendo-nos remoer os nervos que as atitudes de certas personagens nos causam. E o reboliço só piora daqui em diante!
A Tormenta das Espadas e A Glória dos Traidores, George R. R. Martin
Com estes dois volumes fiquei sem folego e em choque, porque não previa nada parecido (acho que é essa a ideia, ficarmos à nora!). Se por um lado os conflitos se tornaram mais tumultuosos, por outro as artimanhas e traições são cada vez piores. Para além disso, há um vislumbre do sobrenatural que começa a imiscuir-se na narrativa e que sugere a aproximação de algo que ninguém espera. A narrativa vai crescendo em crueza e frustração, revelando muito pouco e suportando o mistério com tantas personagens que tanto são envolvidas na narrativa como desaparecem da mesma. Porém, há um certo gozo no "castigo" aplicado a algumas personagens.
A Fúria dos Reis e O Despertar da Magia, George R. R. Martin
Após os sobressaltos finais do volume anterior, eis que nos deparamos com um cenário de guerra civil e diversas quezílias e intrigas espalhadas pelos Sete Reinos. O que é verdade e o que é mentira? A catadupa de emoções continua a surpreender nestes dois volumes, muito embora estejamos longe de obter qualquer resposta às nossas dúvidas.
É difícil escrever fantasia, mas criar algo tão complexo como esta saga parece-me quase impossível. Entre o enorme role de personagens e pequenos enredos, a mestria de Martin deixou-me agarrada à saga e a tentar descortinar uma série de ligações que, provavelmente, só serão reveladas no final.
A Guerra dos Tronos e A Muralha de Gelo, George R. R. Martin
Não costumo ler fantasia épica, mas no meu reportório literário não podia faltar a saga que tanto furor tem causado: A Song of Ice and Fire; cuja adaptação televisiva adoptou o título do primeiro livro, A Guerra dos Tronos. Apesar de não ser das minhas favoritas, é muito boa e prima pelas descrições e personagens realistas, tratando-se de um must read, ou seja, mais do que ver a série, acho que deveriam ler os livros.
O estilo de escrita de Martin é em tudo diferente daquilo que estou habituada, muito do género de romance de cavalaria, mas também por isso é que me cativou. O autor apresenta uma narrativa que se desenvolve sob a perspectiva de uma personagem diferente em cada capítulo, num enredo vertiginoso e repleto de intriga, suspense, mistério e reviravoltas sombrias. Confesso que fiquei curiosa para saber o que acontece a seguir.
Neste primeiro livro (na edição portuguesa cada livro está dividido em dois volumes), o autor dá-nos a conhecer algumas das personagens principais em torno das quais se irá desenrolar a intriga. Logo à partida é possível fazer distinção entre as personagens que adoramos, as que odiamos e as que não compreendemos; estão todas tão bem caracterizadas, as boas e as más, que é impossível resistir. No entanto, a crueza de certas passagens (sobretudo nos livros posteriores), arrepia qualquer um.
segunda-feira, 13 de junho de 2016
Pedaços de Escrita #48
As montanhas erguem-se sobre o vale; escuras, imponentes, austeras. Surgem cobertas por uma neblina cinzenta que esconde os seus mistérios e maravilhas e coroadas de nuvens escuras e cruéis. A luz é mortiça à hora morna da tarde e o murmúrio do vento é suave ao tocar-nos na pele. Pontos de cor iluminam as encostas verdes e castanhas, misturando-se em tons de azul, lilás, amarelo, rosa e vermelho; o perfume das rosas e das flores selvagens relembrando a transição da estação. À hora quieta e silenciosa ergue-se o pronúncio da tempestade, mas ao crepúsculo é o sonho de Verão que permanece. Aquieta-se o mundo e o sol desaparece, o vento cala-se e as montanhas confundem-se com o negrume da noite. A hora do lobo encontra uma lasca de lua sobre uma floresta encerrada em bruma, que se desvanece na luz cinzenta da aurora. O chilrear dos pássaros saúda o novo dia enquanto o sol se ergue no zénite e as montanhas surgem novamente em toda a sua imponência sobre o vale silencioso.
quinta-feira, 9 de junho de 2016
Planeta edita Torre de Espinhos de Juliet Marillier!
Há por aí fãs de Juliet Marillier? É que, ao que parece, está para breve a edição do segundo volume da série Blackthorn&Grim em português e segundo o Diário Digital consta das propostas da editora já para este mês! Vejam o artigo completo aqui: http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=828790.
Sinceramente, pensei que a espera seria mais longa, mas ainda bem que, possivelmente, está quase a aparecer; gosto muito do trabalho desta autora e ter de esperar que saia um novo livro é sempre angustiante. Estou mesmo muito curiosa em relação a esta série, por ser tão envolvente de uma maneira muito diferente do que acontece com outras. Oxalá, a edição se concretize este mês!
quarta-feira, 8 de junho de 2016
Ida à Feira do Livro!
Mais um ano, mais uma passagem na Feira do Livro. À semelhança do ano passado, participei no Encontro com Bloggers, com a Carla M. Soares e com a Célia Loureiro, cujo o romance A Filha do Barão estava na minha lista desde Janeiro do ano passado e era livro do dia. Também aproveitei novamente os descontos da Hora H e, assim, adquiri as quatro primeiras leituras deste Verão. E desta vez pude publicar algumas fotos enquanto estava na feira, porque há Wi-fi! Apesar do calor que se fez sentir durante o dia, a conversa fluiu de forma muito agradável e o serão foi tão bom que compensou o cansaço, com uma pequena sensação de realização, porque a minha lista continua comprida. Mas quanto a isso, há sempre a Feira do ano que vem!
quinta-feira, 19 de maio de 2016
Pedaços de Escrita #47
A cidade foi outrora dos escritores. Daqueles que faziam vida de café e manipulavam o que viam para o transformar no seu trabalho. Agora os cafés enchem-se de turistas e quase não se vêem escritores nas ruas. É isso que faz falta, porque os turistas só contribuem para a economia. Os escritores deviam poder andar por aí, a alimentar a criatividade com os ecos que observam na cidade, porque são eles quem os vê. Os escritores deviam ser livres de explorar e conhecer o mundo a seu belo prazer e não confinados a um qualquer escritório bafiento que lhes rouba todo o espírito criativo. Os escritores deviam ser reconhecidos pelo seu trabalho moroso que enriquece a cultura, porque são eles que compõem a sublime arte da Literatura.
De todas as artes, a Literatura é a mais mutável e evolutiva, talvez, e os escritores evoluem com ela. É por isso que deviam voltar à "vida de café", a escrever em blocos de notas em bancos de jardim, e nunca deixar de alimentar a sua criatividade. Deviam ser sempre reconhecidos pela sua arte literária, seja qual for a forma em que esta se manifeste. Importa que a Literatura seja de novo vista como a mais nobre de todas as artes, porque a arte de contar histórias é inerente à sociedade humana e seria desastroso perder essa arte. É tempo de os escritores serem livres para escrever, para usufruírem da sua vida ao seu gosto e ritmo, para experienciarem e saborearem, para conhecer e para se reencontrarem. É tempo de os escritores mostrarem que estão vivos!
sexta-feira, 13 de maio de 2016
O Lago dos Sonhos, Juliet Marillier
Juliet Marillier nunca deixa de me surpreender a cada narrativa. A série de Sevenwaters e a trilogia Shadowfell arrebataram-me de uma forma que não sei explicar e, agora, Blackthorn & Grim tira-me novamente o fôlego. Correndo o risco de me tornar repetitiva, devo dizer que a capacidade de variedade que a autora demonstra ao construir histórias tão diferentes umas das outras é extraordinária, todas repletas de mistério e intriga e personagens fortes e carismáticas. Blackthorn é uma mulher adulta que se tornou amarga perante as circunstâncias da vida e Grim um homem forte, mas perdido; é na companhia um do outro que empreendem a viagem até à misteriosa Floresta dos Sonhos, em Dalriada. Uma narrativa forte, que se desenrola fluidamente em torno de um tema sério: os abusos e maus tratos dos quais muitas mulheres sofrem em silêncio; ainda assim, uma leitura empolgante e impossível de pousar antes de chegar ao fim.
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