sábado, 20 de abril de 2019

Pedaços de Escrita #67





Não é fácil largar tudo e ir, mas por vezes tem que ser assim: cortar as amarras do que foi para poder ser de novo. Não é fácil dizer adeus, mas é necessário para poder avançar. E quando a alma avança, tudo o resto fluí, não é verdade?

Mas então de que vale gostar de algo ou alguém, se tudo o que nos resta são as memórias? Ninguém vive de memórias! Não, mas são elas que fazem de nós quem somos, que nos indicam que valeu a pena ter vivido aquele momento.

Não é fácil voar nas próprias asas nem crer na própria força, quando se é prisioneiro do medo... Não é fácil dizer adeus, a palavra cruel que põe fim a algo a que nos acomodámos e esperamos que nunca acabe! Mas a Vida é assim, está em constante movimento e senão a acompanhamos na mudança, ficamos presos ao passado que deixou de existir...

E se a mudança parece inaceitável, não viver no tempo certo é completamente incompreensível! Por isso, venha o que vier, tenhamos a certeza de que vivemos tanto quanto podemos sem arrependimentos.

terça-feira, 16 de abril de 2019

Much Ado About Nothing, Shakespeare





Do pouco que já li da obra de Shakespeare, esta comédia foi o trabalho que mais gostei. Baseada numa série de equívocos relacionados com os encontros e desencontros de um jovem casal e a descrença e interesse de outro, que parecem terminar em tragédia, é leve, fácil de ler e muito engraçada, para além de ter sido trabalhada com a mestria inigualável de um dos grandes dramaturgos do século XVI. Apesar de pouco conhecida, Much Ado About Nothing (Muito Barulho Por Nada) é rica em linguagem poética e em gargalhadas. Vale mesmo a pena ler.

Amor de Perdição, Camilo Castelo Branco





Pensava que já tinha escrito a opinião sobre este livro, mas parece que não. Esta obra de Camilo Castelo Branco prima pelo exagero romântico, também conhecido como ultra-romantismo, ou seja leva ao extremo a ideia de «morrer por amor», num excesso tão grande que provoca o riso. Fez parte do programa curricular da disciplina de Literatura Portuguesa no meu 11º ano e foi das obras que mais gostei de toda a disciplina. Para além disso, foi o meu objecto de estudo para o projecto do portefólio desse ano. A história é inspirada na obra de Shakespeare, Romeu e Julieta (que estou a ler de momento e em inglês), numa versão bem portuguesa e quase tão dramática, tornando-se um clássico que não deixa ninguém indiferente e que ninguém deveria deixar de ler.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Reflexões #30 - A Minha Relação com a Escrita!





Posso afirmar que a minha relação com a escrita vem de longe e começou cedo. É a mais pura das verdades. Esta ligação com a palavra escrita derivou da minha ainda mais antiga queda para a leitura. Aconteceu com um intervalo com cerca de três anos, sendo que descobri os livros aos oito e a escrita aos onze anos. Desde então fui lendo e escrevendo sempre cada vez mais.

Efectivamente, hoje a minha escrita é muito mais madura, tendo sido alimentada e enriquecida durante aos pela prática e pelo acumular de vocabulário. Posso dizer que quem me conhece bem sabe que não passo sem um caderno e que sou capaz de escrever horas a fio, sem olhar para o relógio uma única vez.

Contudo, o processo criativo não é fácil e, por vezes, a falta de ideias, de palavras ou de inspiração torna-se frustrante. Sempre ouvi dizer que escrever tem mais que ver com trabalho árduo do que com inspiração, mas, embora seja verdade, cada um vive a escrita de maneira diferente. Comigo acontece sempre repentinamente, num ciclo quase vicioso e frequentemente nas alturas menos propícias, isto é, quando tenho mais responsabilidades. Raramente me consigo conter de pegar na caneta e passar tudo para o papel, porque mais do que um hábito, é uma paixão viciosa que faz de mim quem sou.

Por conseguinte, devo dizer que esta minha relação com a escrita é algo evolutivo e em constante crescimento, pois quanto mais leio e enriqueço o meu vocabulário, mais escrevo e mais quero fazê-lo. No entanto, creio que este dom da palavra escrita acarreta uma grande responsabilidade, uma vez que as palavras têm um grande poder transformador, quando usadas no momento certo. Quanto mais não seja porque é através da palavra escrita que se compõem todo o tipo de estórias, mesmo que estas se destinem ao palco do teatro ou ao cinema.

E este sim, é o derradeiro motivo porque escrevo: para criar estórias que inspirem quem me rodeia e o mundo inteiro e como forma de contrariar perspectivas erradas sobre os escritores, sobretudo mulheres escritoras.

sábado, 6 de abril de 2019

A Livraria dos Finais Felizes, Katarina Bivald





É sempre bom experimentar novos autores, porque acabamos sempre por descobrir novos interesses e, por isso, tenho lido algumas estórias sobre livrarias, livreiros e livros. Desta vez foi um a autora sueca Katarina Bivald. e o que mais me chamou à atenção neste livro foi o facto de me identificar muito com a protagonista em termos de personalidade. Apesar de haver algumas gralhas de revisão, o romance está bem construído, é fácil de ler e aborda uma perspectiva interessante sobre o destino e o poder dos livros conjugados com a realidade, o que faz com que a estreia da autora seja bem conseguida. Gostei muito e recomendo; fico a aguardar novas surpresas da autora - será que está para breve?

sábado, 23 de março de 2019

Pedaços de Escrita #66





Aquela ilusão de Primavera, quando o Sol aquece a alma e a noite fria arrefece o corpo; as flores desabrocham para colorir montes e vales, acalentando uma esperança inocente, doce e persistente. Uma manhã solarenga e brilhante, onde sobressaem os matizes de verde das encostas e o azul-escuro do rio. O aroma morno e perfumado, o zumbido incessante dos insectos, a energia vibrante do renascimento da Natureza. A incoerência do tempo que torna perfeito o mais normal dos dias e imperfeito o mais extraordinário dos temporais. Porém, é na simplicidade do momento que reside a mais pura felicidade.

sexta-feira, 22 de março de 2019

Pedaços de Escrita #65





Precisava de se afastar, de se conectar consigo própria, de pensar e decidir qual o melhor rumo para a sua vida. Estar longe por algum tempo era o plano perfeito, pois dar-lhe-ia o tempo e o espaço necessários para perspectivar tudo. Reservou a pequena cabana, arrumou o saco e, no dia seguinte, fez-se à estrada. Mal lá chegou, instalou-se e foi dar uma volta para respirar ar puro e depois de escurecer preparou uma refeição simples e deliciosa. Sentou-se a comer enquanto via um filme e cogitava na vida.

Com o passar do tempo percebeu que nem tudo se resolveria naqueles instante, que era preciso dar tempo ao tempo. Assim, resolveu considerar as suas alternativas no momento presente: ficar onde já nada a prendia ou ir à procura da sua grande realização. E decidiu que que era a altura perfeita para concretizar os seus sonhos. Afinal de contas, a vida não espera por ninguém e temos de ser nós a criar as nossas oportunidades. 

domingo, 17 de março de 2019

Viagens na Minha Terra, Almeida Garrett





Não sabia muito bem o que esperar deste livro depois de já ter lido teatro e poesia deste autor, mas o certo é que não desiludiu. A narrativa consiste na crónica da viagem do autor até Santarém, que na época  durava cerca de dois ou três dias entre barco a vapor e coche (ou a cavalo / mula). Narra sobretudo as impressões do autor ao chegar a determinadas localidades e locais e qual não é o seu desapontamento ao ver que não são o que esperava, divagando sobre as mudanças sociais que ocorreram após a guerra civil da década anterior. Apesar de algo séria, é uma leitura a ter em conta, sobretudo para quem quiser conhecer autores clássicos portugueses.

sexta-feira, 8 de março de 2019

Reflexões #29 - Uma Questão de Respeito.





Não costumo escrever Reflexões tão seguidas, mas depois de tudo o que tenho ouvido ultimamente, achei que seria um tema apropriado, porque tudo isto está humana e socialmente errado:

Hoje celebra-se (ou deveria celebrar-se) o Dia Internacional da Mulher. Hoje devia ser uma dia de orgulho. Hoje devia ser um dia realização. Mas a verdade é muito mais dura do que possam pensar, porque não basta fazer de conta que é tudo cor-de-rosa e que alcançámos grandes feitos. As novas gerações de meninas e raparigas tomam tudo por garantido, mas a História diz-nos que tudo o que as mulheres conquistaram nós últimos 119 anos foi à custa de muita dor, sofrimento, sacrifício, coragem e persistência. Infelizmente, mais de metade do mundo permanece cega para a triste realidade de que existem milhares ou milhões de mulheres e raparigas que não são livres, que continuam a ser inferiorizadas (e pior!) por mentalidades machistas e opressoras.

Mesmo nos ditos países civilizados, as desigualdades entre homens e mulheres são persistentes... E a constante desilusão perante a inacção social tende a derrubar até a mais enraizada crença, mas é por essa razão que nos devemos unir e dizer «Basta!» E é este o momento certo para o fazer, porque tudo o que temos é o Agora! Amanhã será tarde de mais para evitar seja o que for!

Feliz dia da Mulher!

segunda-feira, 4 de março de 2019

Reflexões #28 - Que se lixem as expectativas!





Peço desculpa se pareço rude ou insensível, mas a verdade é que chega uma altura na vida em que não podemos continuar a pactuar com os princípios sociais que nos estrangulam e com os quais não concordamos - temos que nos libertar! Como? Trabalhando todos os dias para sermos nós próprios e dar-mos o nosso melhor, independentemente dos resultados.

Tentar estar de acordo com aquilo que esperam de mim não me está a levar a lado nenhum, por isso, é o momento ideal para tomar o controlo da minha vida e começar pôr em prática os meus princípios para ser feliz. Por essa razão afirmo que se lixem as expectativas sociais sobre o que devo ou não fazer da minha vida, porque a vida é minha e eu é que sei aquilo que de deixa realmente realizada!

As coisas que nos realizam são aquelas pelas quais devemos lutar acerrimamente, não importa o que os outros digam. Temos de acreditar em nós e nas nossas capacidades, pois só assim poderemos estar em paz connosco e com o mundo.

Assim, vou dizer «não» ao que não me faz falta, vou dizer «não» ao ego, vou dizer «não» ao conformismo social, vou cuidar de mim para poder cuidar dos que me rodeiam, vou conectar-me com o que me faz evoluir, vou seguir a minha intuição e amar a vida, vou ser alma nómada que sempre fui e conhecer o mundo... Enfim, vou ser o meu verdadeiro «eu» e não a máscara que os outros esperam que seja!